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Ser sustentável é pensar em novas formas de se desenvolver e fazer negócios. Em um mundo que clama por mudanças, o papel das empresas é fundamental para a criação de estilos de produção mais eficientes e com menos desperdício, produtos com novas propostas e também na mudança da mentalidade de consumo. Pensando em utilizar o potencial inovador das empresas, a Organização das Nações Unidas (ONU) incluiu o setor privado em seus indicadores e metas para um desenvolvimento sustentável.
Beatriz Carneiro, que é secretária-executiva de Rede Brasil do Pacto Global da ONU, falou sobre como uma empresa pode passar a adotar esses objetivos em sua cadeia de trabalho durante o 1º Fórum de Sustentabilidade para o Varejo, organizado pela área de Sustentabilidade e Internacionalização da GS&MD, que aconteceu no dia 28 de setembro, em São Paulo.
O Pacto Global é uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), lançada em 2000 pelo então secretário-geral da organização, Kofi Annan, como uma forma de reparar um “erro” que a ONU vinha cometendo em não falar tão diretamente com o setor privado. Atualmente, o Pacto Global conta com mais de 13 mil signatários, sendo que 9 mil deles são empresas. Apesar de ser voltada para o setor privado, a iniciativa também recebe organizações sem atividades empresarias, mas que estejam de certa forma ligadas às companhias.
“Ele foi criado com o objetivo de promover os chamados 10 princípios do Pacto. A empresa, quando se torna signatária, ela se compromete a promover e respeitar os princípios [...], que estão relacionados, do número 1 ao 6, a direitos humanos e relações de trabalho. Os (princípios) 7, 8 e 9 estão relacionados ao meio ambiente e o último, que foi incorporado posteriormente, é o princípio da anticorrupção”, explica Beatriz.
As signatárias do Pacto se comprometem a reportar anualmente os progressos com relação aos 10 princípios e em troca, ao participar da plataforma, ganham reconhecimento mundial. No Brasil, segundo Beatriz, existem seis áreas focais de trabalho: direitos humanos, água, energia e clima, anticorrupção, alimentos e agricultura e, por último, os chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), criados em 2015 pela ONU.
“Fizemos um pequeno mapeamento do que são oportunidades de engajamento com o setor do varejo em relação aos temas que estão sendo trabalhados no Pacto”, explica Beatriz. A partir dessa análise, foram feitas conexões entre os 10 princípios e as necessidades de mudanças nas empresas.
Para o princípio dos direitos humanos, a oportunidade está em usar a força de trabalho do varejo a favor da diversidade. Na questão da água, é trabalhar a eficiência hídrica, principalmente na cadeia produtiva. Em energia e clima, é promover a produção e consumo consciente e trabalhar a eficiência energética. Para anticorrupção, trabalhar boas práticas de compliance no setor. Em alimentos e agricultura é a produção de alimentos próprios de maneira sustentável e, por último, alinhar as estratégias aos ODS.
Objetivos de desenvolvimento sustentável
De 2000 a 2015, a grande agenda mundial da ONU foi voltada para os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que são oito objetivos voltados, principalmente, para a erradicação da pobreza extrema. “Nessa agenda, não se tinha muita clareza de qual era o papel do setor privado, já que eles (os ODM) eram muito voltados para o governo. Então, em 2015, na assembleia geral da ONU, foi definida a nova agenda para 2030, que traz os ODS. São 17 objetivos, 169 metas e com foco bem mais ampliado do que o dos ODM”, explica Beatriz.
Os ODS incluem aspectos ambientais, sociais e econômicos e são um desafio para todos os países, incluindo o governo, a sociedade civil e o setor privado. Para a criação dessa agenda, foram consultadas mais de 1.700 empresas e mais de 100 países. Para conhecer cada um deles, clique aqui.
Segundo Beatriz, os ODS representam uma oportunidade de aderir a novos modelos de negócio e criar soluções inovadoras. A secretária-executiva compartilhou com os participantes a fala do secretário-geral da ONU sobre a relação entre o setor privado e os objetivos. “As empresas são parceiras vitais no alcance dos ODS e podem contribuir por meio de suas atividades principais. Solicitamos que as companhias de todo o mundo avaliem seu impacto, estabeleçam metas ambiciosas e comuniquem seu resultado de forma transparente”.
Para as empresas que desejam contribuir, foi criada uma ferramenta gratuita que auxilia no alinhamento das estratégias de negócio com os ODS. “A ferramenta se chama bússola dos ODS, ou SDG Compass, e ela oferece um guia de implementação”, conta Beatriz. Segundo a secretária-executiva, o processo se dá por uma metodologia em 5 passos, sendo o primeiro passo entender os ODS; o segundo, estabelecer prioridades, analisando como o seu negócio impacta e como é impactado por cada objetivo; o passo três está ligado ao estabelecimento de metas e à definição de um processo de monitoramento e avaliação; o quarto passo é a integração das metas na estratégia da empresa e o quinto é a comunicação das ações.
Se você quer incluir os ODS da ONU nas metas futuras do seu negócio, clique aqui e aprenda a usar a ferramenta.