O empreendedorismo feminino deixou de ser uma exceção no Brasil. Hoje, mulheres estão à frente de negócios em diferentes setores, formatos e tamanhos, do MEI à pequena empresa, passando por lojas físicas, serviços, negócios digitais, alimentação, beleza, moda, educação, tecnologia e tantos outros caminhos.
Segundo levantamento do Sebrae com base na PNAD Contínua, o Brasil chegou a 10,4 milhões de mulheres donas de negócio em dezembro de 2025, o maior número da série histórica. Em dez anos, o empreendedorismo feminino cresceu 27%, avanço superior ao registrado entre os homens no mesmo período.
Esses números mostram uma transformação importante. Ao mesmo tempo, também revelam que ainda há espaço para avançar. Embora as mulheres representem 51,8% da população em idade ativa, elas são 34,3% dos donos de negócio no país. Ou seja, o empreendedorismo feminino cresce, mas ainda enfrenta barreiras de acesso, renda, formalização, crédito, rede de apoio e reconhecimento.
O que é empreendedorismo feminino?
Empreendedorismo feminino é a criação, gestão e liderança de negócios por mulheres. Ele pode aparecer em diferentes formatos: uma microempreendedora individual que começa a vender seus produtos, uma profissional autônoma que formaliza seus serviços, uma comerciante que expande a operação, uma fundadora de startup ou uma empresária que lidera uma equipe.
Mais do que abrir uma empresa, empreender envolve identificar uma oportunidade, organizar recursos, atender uma necessidade do mercado e transformar uma ideia em uma atividade sustentável. No caso das mulheres, essa jornada muitas vezes também está ligada à busca por autonomia financeira, flexibilidade, independência e construção de patrimônio.
Mas é importante não romantizar o tema. Empreender pode abrir caminhos, mas também exige planejamento, organização financeira, conhecimento de mercado e capacidade de adaptação. Para muitas mulheres, o negócio nasce em meio a outras responsabilidades, como cuidados com a família, trabalho doméstico, maternidade ou falta de rede de apoio.
Empreendedorismo feminino no Brasil em números
Os dados mais recentes reforçam a força das mulheres no empreendedorismo. Em 2025, mais de 2 milhões de MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte lideradas por mulheres foram criadas no Brasil, segundo levantamento do Sebrae com base em dados da Receita Federal. Esse número representa cerca de 42% dos pequenos negócios abertos no período.
Entre os novos MEIs criados em 2025, as mulheres estiveram à frente de 1,6 milhão de CNPJs, também cerca de 42% do total de MEIs abertos no ano. Nos setores, a participação feminina foi maior na indústria, com 45% dos novos negócios, seguida por serviços, com 44%, e comércio, com 43%.
Outro dado relevante é a formalização. Entre as mulheres donas de negócio, 37% possuem CNPJ, proporção ligeiramente maior do que a registrada entre homens. A formalização é um passo importante porque facilita a emissão de notas fiscais, o acesso a serviços financeiros, a organização tributária e a construção de uma relação mais profissional com clientes e fornecedores.
Por que o empreendedorismo feminino é importante?
O empreendedorismo feminino fortalece a autonomia financeira das mulheres, mas seu impacto vai além da trajetória individual. Negócios liderados por mulheres geram renda, movimentam comunidades, criam oportunidades de trabalho e ampliam a diversidade no mercado.
Quando mais mulheres empreendem, mais referências surgem para outras mulheres que querem começar. Isso ajuda a quebrar a ideia de que certos setores, cargos ou modelos de negócio pertencem apenas a um perfil específico de empreendedor.
No Brasil, o tema também ganhou reconhecimento institucional. A Lei nº 14.667/2023 instituiu a Semana Nacional do Empreendedorismo Feminino, comemorada anualmente em novembro, com o objetivo de conscientizar a população sobre os desafios enfrentados por mulheres empreendedoras.
Em 2024, o Governo Federal também instituiu a Estratégia Nacional de Empreendedorismo Feminino, chamada Elas Empreendem, voltada à promoção do empreendedorismo feminino como instrumento de inclusão social, econômica e de desenvolvimento do país.
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Quais são os principais desafios das mulheres empreendedoras?
Apesar do avanço, os desafios ainda são relevantes. O levantamento do Sebrae mostra que, em 2025, o rendimento médio das mulheres donas de negócio foi de R$ 2.929,94, enquanto o dos homens foi de R$ 3.864,12. A diferença caiu ao longo dos anos, mas as mulheres ainda recebem, em média, 24% menos do que os homens donos de negócio.
Essa desigualdade não se explica por um único fator. Ela passa por acesso a crédito, tipo de atividade econômica, porte do negócio, informalidade, tempo disponível para se dedicar à empresa, rede de contatos, divisão desigual do trabalho doméstico e oportunidades de capacitação.
Outro ponto importante é que muitas empreendedoras começam pequenas, com recursos próprios e pouca estrutura. Isso pode ser positivo para testar uma ideia com menor risco, mas também pode limitar o crescimento quando falta capital, planejamento ou orientação.
Por isso, falar de empreendedorismo feminino não é apenas celebrar histórias inspiradoras. É também discutir as condições para que esses negócios cresçam de forma sustentável, com gestão financeira, acesso a conhecimento, presença digital, formalização e apoio adequado.
Como começar ou fortalecer um negócio liderado por mulheres?
O primeiro passo é entender o problema que o negócio resolve. Antes de pensar em logo, rede social ou nome da marca, vale responder: quem é o cliente, qual necessidade será atendida, quanto ele está disposto a pagar e como essa solução será entregue.
Depois, é importante organizar os números. Mesmo um negócio pequeno precisa saber quanto custa vender, qual é a margem, quanto entra, quanto sai e quanto precisa faturar para se manter. O fluxo de caixa ajuda a acompanhar esse movimento e evita que a empreendedora confunda faturamento com lucro.
A formalização também deve entrar na análise. Para quem se enquadra nas regras do MEI, abrir um CNPJ pode ser um caminho para profissionalizar a operação. Já negócios maiores ou com atividades não permitidas no MEI precisam avaliar outros formatos com apoio contábil.
Separar as finanças pessoais das finanças da empresa é outro passo essencial. A Conta MEI Santander pode apoiar essa organização, com abertura online, uso do CNPJ, Pix, cartão MEI e soluções como maquininha Getnet, conforme as condições do banco. Ter uma conta dedicada ao negócio ajuda a visualizar melhor entradas, saídas, recebimentos e pagamentos.
Também vale investir em presença digital. Redes sociais, WhatsApp, marketplaces, site, perfil no Google e conteúdo online podem ajudar a divulgar o negócio, mas precisam estar conectados a uma estratégia. Não basta postar por postar: é preciso entender o público, comunicar valor e facilitar a compra.
Aprenda com o Programa Avançar
O Programa Avançar oferece cursos online e vídeos gratuitos para apoiar empreendedores na gestão do negócio. A plataforma reúne conteúdos sobre empreendedorismo, gestão, inovação, finanças, marketing e vendas, com certificados de participação.
Para mulheres que estão começando ou querem fortalecer seus negócios, alguns cursos podem ser especialmente úteis. O curso Como começar um negócio do zero ajuda a estruturar os primeiros passos da jornada empreendedora.
Empreender também é construir autonomia
O crescimento do empreendedorismo feminino no Brasil mostra que cada vez mais mulheres estão criando seus próprios caminhos no mundo dos negócios. Esse movimento fortalece a economia, gera renda e amplia a diversidade de soluções disponíveis no mercado.
Mas, para que esse crescimento seja sustentável, é preciso ir além da inspiração. Mulheres empreendedoras precisam de acesso a informação, educação financeira, redes de apoio, ferramentas digitais, crédito responsável e ambientes de negócio mais justos.
Empreender é uma decisão importante. Com planejamento, gestão e conhecimento, essa jornada pode se tornar uma forma concreta de autonomia, desenvolvimento e crescimento.