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Varejo e espaço urbano: sustentabilidade e melhoria dos negócios

Foto: Shutterstock

Você já parou para pensar na relação entre seu negócio e o espaço em que ele está inserido?

O arquiteto e diretor do Instituto de Urbanismo e Estudos para a Metrópole (URBEM), Philip Yang, falou sobre o tema durante o 1º Fórum de Sustentabilidade para o Varejo, organizado pela área de Sustentabilidade e Internacionalização da GS&MD.

Tomando como base o ambiente urbano, Yang apontou algumas das irracionalidades encontradas nas cidades e que podem impactar não somente o convívio social, mas também as atividades comerciais. Além disso, o especialista comentou o papel fundamental do varejo na mudança dessas incongruências, resultando em melhoria para a população e para os negócios.

'A primeira assimetria que identifico, pensando em São Paulo, mas que é válida para todas as grandes cidades do mundo, é assimetria brutal entre os espaços públicos e privados. A segunda, que é muito ligada à primeira, é a absoluta desproporção entre áreas verdes e áreas cinzas, áreas permeáveis e áreas não-permeáveis, o ambiente construído e o ambiente não-construído. E a terceira assimetria é o desequilíbrio entre a oferta de espaço de trabalho e espaço de moradia', elenca o especialista.

ENTENDENDO O CENÁRIO URBANO ATUAL

Público X Privado
Para comentar essa incongruência e mostrar como ela pode, de fato, impactar nos negócios, Yang levou como exemplo um fenômeno bastante conhecido pelos varejistas: os 'rolezinhos'. Os encontros protagonizados por centenas de jovens das periferias brasileiras aconteceram principalmente nos Estados de São Paulo e no Rio de Janeiro, dentro de shoppings centers das grandes cidades. 'A falta de espaço público gera essa invasão do espaço privado e se essa carência permanece e se agrava, haverá uma repetição. Isso afeta diretamente o varejo', explica.

Desproporção entre o verde e o cinza
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que as cidades tenham, no mínimo, um índice de 12 m² de área verde por habitante. Em São Paulo, maior metrópole do País, o índice é de 2,6 m² por morador. O diretor do URBEM também salienta que, além do verde, existe a necessidade por melhores espaços de fruição, que incluem passeios, calçadas em boas condições e trajetos mais regulares. Outra questão relacionada ao tema é a invasão do viário ao espaço público, derivada da explosão populacional e crescimento abrupto das cidades.

Trabalhadores longe do trabalho
Atualmente, segundo Yang, São Paulo conta com um fluxo de aproximadamente 3 milhões de pessoas que saem diariamente da zona leste da cidade em direção ao centro, para chegar aos seus postos de trabalho. Ao somar a esse número mais 1 milhão de pessoas que saem todos os dias dos 38 municípios vizinhos em direção à São Paulo é aproximadamente a população da Nova Zelândia.

RACIONALIZAÇÃO DO ESPAÇO E MELHORIA NOS NEGÓCIOS

Apesar das irracionalidades, existem maneiras de driblar as assimetrias e transformar o espaço a favor das pessoas e dos negócios. Yang levou como exemplo o case da cidade de Nova York, que recebeu mudanças estruturais no espaço urbano importantíssimas durante a gestão do perfeito Michael Bloomberg, que durou do ano de 2002 a 2013. “No início da administração de Bloomberg foi feita uma medição dos fluxos de pessoas em Times Square. Concluiu-se que 82% das passagens de pessoas pela avenida eram feitas a pé e 18% com veículos ou bicicletas”, conta o arquiteto.

Após a análise, a administração pública da cidade chegou à conclusão de que não fazia sentido dar tanta prioridade aos carros na região, já que a maioria era de pedestres, e mudou a configuração da área para receber mais pessoas transitando a pé.

O resultado foi uma diminuição no índice de acidentes em Time Square, que era mais do que o dobro do que o restante da vizinhança, e também um aumento do faturamento do varejo, já que os compradores passaram a caminhar com maior tranquilidade pelo local.

QUAL O PAPEL DO VAREJO NA MUDANÇA

A cidade é a construção de uma vontade coletiva e o varejo tem um papel extremamente importante na melhoria do espaço urbano. Para Philip Yang, existem algumas ações que podem ser feitas pelos varejistas e que beneficiam não somente a população, mas também a rentabilidade do negócio. São elas:

Fachadas ativas
'É basicamente aproveitar os térreos das edificações para introduzir o comércio, que tem um papel fundamental como empregador na aproximação da moradia e do emprego e também na animação das ruas'.

Verticalização
'É uma alternativa que talvez o varejo possa contribuir muito', comenta o arquiteto. A ação consiste em identificar locais para uma possível verticalização, podendo ser lojas e comércios ou até mesmo agências bancárias em situação horizontal. Dependendo do plano diretor de cada cidade, é possível fazer mudanças como cavar o subsolo, adicionar um pocket park ao piso térreo e até construir uma torre residencial sobre o comércio. Para Yang, as duas ações citadas podem potencializar o valor econômico da propriedade, gerar valor social com a redução da assimetria entre a oferta de espaços de trabalho e moradia e promover, se bem trabalhado, o ganho de imagem para a instituição.

Novas fronteiras
'Desenvolver novas fronteiras de varejo em regiões residências onde a demanda do comércio não está bem atendida', explica. Como exemplo, o especialista citou uma pequena rede de mercado paulistana, que conta com cinco lojas e fatura cerca de R$ 10 milhões por ano em uma área residencial. 'A demanda está sendo atendida ali, tem até entrega a domicílio', conta.

Cluster de moradia produtiva
'Na cadeia produtiva convencional, você tem o proprietário, uma série de gerentes e todos os empregados saindo de suas unidades habitacionais (para ir até o trabalho), gerando um custo de transporte e um custo ambiental extraordinários', explica o diretor do URBEM.

Já na cadeia de moradia produtiva, a proposta é criar espaços em que há uma estrutura de varejo centralizada, circundada por unidades de moradia produtiva. O exemplo apresentado por Yang para ilustrar a situação foi uma empresa especializada em moda, que aproveita a mão de obra dos habitantes das redondezas para realizar serviços de tecelagem, lavagem, design, tingimento, entre muitos outros. 'Tem um ganho ambiental, tem um ganho de logística, tem um ganho trabalhista e também tributário', finaliza.

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