Guerra comercial entre EUA e China gera oportunidades para o Brasil?

Como a disputa entre as duas potências globais pode influenciar os negócios brasileiros

10-06-2019

Guerra comercial entre EUA e China gera oportunidades para o Brasil?
Foto: Envato Elements

Em curso desde o ano passado, a guerra comercial entre Estados Unidos e China vem interferindo no fluxo de comércio em todo o mundo. A disputa, que começou com a imposição de taxas sobre importados pelo governo de Donald Trump em relação à China, já trouxe uma série de retaliações de ambas as partes – e o desfecho da situação ainda parece bastante incerto. 

Enquanto as duas potências permanecem em confronto econômico, o comércio internacional pode oferecer novas oportunidades para outros participantes. No caso do Brasil, uma análise desenvolvida a pedido do governo brasileiro por pesquisadores associados ao think tank norte-americano Atlantic Council em parceria com a Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) mostra que a guerra comercial abre espaço para o crescimento nas exportações de 34 produtos brasileiros ao mercado dos Estados Unidos. O estudo foi divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo.

Os produtos beneficiados, de acordo com o levantamento:

  1. Ferro e aço;
  2. Partes para aviões ou helicópteros;
  3. Sacos, bolsas e cartuchos, de outros plásticos;
  4. Pneus novos de borracha dos tipos utilizados em automóveis de passageiros;
  5. Motores elétricos de corrente alternada, polifásicos, de potência > 750 W e <= 75 kW;
  6. Ácidos monocarboxílicos aromáticos, seus anidridos, halogenetos, peróxidos, perácidos e derivados;
  7. Eixos e rodas e suas partes, de veículos para vias férreas;
  8. Motores elétricos de corrente alternada, polifásicos, de potência <= 750 W;
  9. Madeira compensada ou folheada, e madeiras estratificadas semelhantes, de bambu;
  10. Concentrados de proteínas e substâncias protéicas texturizadas;
  11. Gálio, germânio, háfnio, índio, nióbio, rênio e vanádio, em formas brutas; desperdícios e resíduos; pós;
  12. Catalisador em suporte, tendo como substância ativa um metal precioso ou um composto de metal precioso;
  13. Buta-1, 3-dieno e isopreno não saturados;
  14. Peras e outras frutas secas;
  15. Aldeídos acíclicos não contendo outras funções oxigenadas;
  16. Ésteres do ácido acrílico;
  17. Tubos de borracha vulcanizada não endurecida, reforçados ou associados apenas com metal, sem acessórios;
  18. Resíduos e desperdícios de platina ou de metais folheados ou chapeados de platina;
  19. Molas helicoidais de ferro ou aço;
  20. Ésteres do ácido metacrílico;
  21. Óxidos e hidróxidos de vanádio;
  22. Cilindros de laminadores, de metais;
  23. Aparelhos de raio X, de radiofotografia ou de radioterapia, para outros usos;
  24. Madeira compensada, constituída por folhas de madeira (exceto bambu), cada uma das quais de espessura não superior a 6 mm, com pelo menos uma face de madeira tropicais;
  25. Ferramentas intercambiáveis de tornear, de metais comuns;
  26. Escovas de carvão, para usos elétricos;
  27. Nozes de macadâmia, sem casca, frescas ou secas;
  28. Placas, folhas ou tiras, de mica aglomerada ou reconstituída;
  29. Fios de algodão, para venda a retalho, contendo => 85% em peso de algodão;
  30. Outros aditivos preparados, para óleos minerais ou para outros líquidos com fins semelhantes;
  31. Papéis e cartões, não revestidos, contendo <= 10% de fibras obtidas por processo mecânico ou químico-mecânico, de peso > 150 g/m2, em rolos ou folhas;
  32. Pastas carbonadas para eletrodos e pastas semelhantes para revestimento interior de fornos;
  33. Iodetos e oxiiodetos;
  34. Pneus recauchutados, dos tipos utilizados em automóveis de passageiros (incluídos os veículos de uso misto e automóveis de corrida);

Fonte: Folha de S.Paulo

Incertezas

Na avaliação da pesquisadora associada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/IBRE), Lia Valls, a disputa entre os dois países gera um cenário instável para o mercado como um todo. O tema, segundo ela, não é consenso nem mesmo entre os negócios dos Estados Unidos. “Muitas empresas são contra a disputa comercial. Ela gera instabilidade política, o que afeta bolsas e mercados”, explica.

Embora a agricultura seja o ramo com mais oportunidades, já que é o principal alvo das sanções norte-americanas, “o cenário todo é de muita incerteza”, segundo a pesquisadora. “As experiências anteriores mostram que esse tipo de disputa acaba por gerar ganhos temporários, e não efetivos”, avalia.

Valls ainda explica que, a curto prazo, não há perspectiva de resolução na disputa entre os países. “O contexto está um pouco difícil porque, ao mesmo tempo, Donald Trump trabalha com sua eventual reeleição, então não demonstra nenhum sinal de arrefecimento.”


Confira também: 5 estratégias de internacionalização de empresas para se inspirar

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